Desde criança tenho medo de ser trancado em um cômodo sem luz e sem janelas, abafado e silencioso. Coisas da minha imaginação. Quem me conhece sabe que esse continua sendo o maior medo da minha vida.
O problema é que cada dia que passa sinto-me mais próximo desse cômodo. Há tempos ando agoniado com as pessoas, todas elas. Essas pessoas estão transformando o tempo e o espaço em algo irreversível.
No momento em que escrevo esse texto, tenho apenas 21 anos, não vivi praticamente nada, mas tenho punho para falar do que me aflige.
Percebo que estamos caminhando para um outro mundo cada vez mais subjetivo. Hoje dificilmente vejo as pessoas se cumprimentarem. Inclusive, quando embarco num ônibus e lanço um bom-dia, noto que o motorista e o cobrador se surpreendem com esse ato. Perderam o costume, agora estão armados de palavras rudes para acertar na cara daqueles que não reconhecem que a culpa das más condições do transporte público não é deles.
A mesma coisa acontece com funcionários públicos do setor de saúde que trabalham de mau humor. Chego a repetir duas ou três vezes o cumprimento, para eles entenderem que ainda somos seres humanos. E, mesmo quando o cumprimento é retribuído, ainda falta aquela coisa de olhar nos olhos.
socorro.
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