"...então nos punimos em nossa delícia, o amor atinge raso e fere tanto, nu a nu, fome a fome, não confiscamos nada e nos vertemos..." Drummond
Em vez de sugerir, quero resurgir um pensamento que há todo sempre existe sobre nosso estado obcecado de ter. De uma moitinha alimentícia que pôde virar horta, da criança que ganhou um sobrenome pelo super-mercado luminoso, vem chegar fresquinho ao domínio público como único viés de vida: Viver para Armazenar. O pai armazena o filho que armazena a mãe que armazena a família. O trabalho que armazena o aluguel que armazena a parede e armazena o ar. A cerca que armazena a comida que armazena até que azeda. O ciúme e a inveja que armazena a posse que armamenta em grades grandes o amor. Armas letais do cotidiano são todos lutando para possuir algo. Ninguém está somente trabalhando, somente namorando, casando, estudando. Está todo mundo nessa guerra de santos e bonzinhos. Assustando-se como os papéis podem se inverter. E se compete no privado e no público porque é possível um dia armazenar poder e status/, vagina e criança/, terra e juiz. Hoje em dia com os novos armazenamentos virtuais, temos uma novidade de senhas, documentos e personalidades, que gerações atráz não tinham. Armazenamos tudo que é possível furtar, comprar, persuadir, conquistar. Fazemos isso porque somos donos da palavra "MEU" ou só porque queremos ser donos mesmo. Até o discursso onde usamos o "nosso" muitas vezes estamos se re-ferindo unicamente a si próprio. Armazenamos fazendo as trocas mais malucas que macaco nenhum faria para comer. "Eu abandono minha vida sexual para viver só com você"."Eu abandono o prazer de ver um dia nascer para pegar trânsito e ser um bom funcionário". "Eu deixo minhas fantasias, para um dia ganhar férias"... e assim vai entre muitos outros abandonos. O problema dessa troca revesada se tornar um acúmulo inerte de desejos reprimidos é dela se auto-dosar com outras mentiras para consigo mesmo. Um dia vem o surto da dona de casa, do adolescente, da criança, do pai de família e se você já armazenou em algum lugar o cartão do terapeuta-amigo-psicólogo, ou uns remédinhos, ou uma fuga ligeira em um bordel, você escapa com algum lazer. Tudo para existir precisa-se manter no cúmulo da regra onde tudo se acumula e para isso armazenamos MAIS, menos amor. O amor é vadio e não tem dono. Tão pouco escolhe, harmoniza. Tão pouco escraviza, esvazia, troca, preenche. Que loucura foi acreditar que devíamos continuar a viver estáveis, quando já haviamos descobertos todos meios de locomoção pelo planeta? Que fantasia se moldurou feito contrato, futebol e aço, que dois times jogam, um perde outro ganha, um país explode, o outro grana. Trocar termos como escravo por dignidade, prazer por pecado? Um estress geográfico de ocidente a oriente, da coxa a barriga, na cintura dos trópicos, por todos os lados a inter-sexy-net lucrando junto dos canais populares. A monogamia já lembra monotomia por conta de que todos monogâmicos acostumam a ficar muito tempo com suas companhias, traindo ou não. Alguém tem que tirar a Cruz que colocaram no prazer! Quem brinca comigo? Menos Cristo, antes dele, com um pouco de esforço quase todo mundo! É que fica díficil fazer um rápido comentário desse porque no momento em que o Patriarcado começa a posar sombra pelo planeta, tudo fica mais confuso em relação a liberdade sexual, visto que a maioria das organizações antes de Cristo, egípicias, gregas e romanas já mantinham classes de prostitutas e mulheres já eram vistas como escravas, já existia adultério com penas absurdas e meus caros amigos eles falharam: alguém assinou o divórcio. A era Cristo vem consolidar de fato todo o reprimir e espalhar guerra, comércio e terror por muitos séculos de incompreensão. Com ele não dá para transar, ter prazer, os pais dele nunca transaram! No Vaticano só tem santo sério! Na Índia só Gurus ricos e risonhos. Atualmente, 2011, só para forçar democracia perante o autoritarismo da Palavra Sagrada, para felicidade da reformulada Igreja, quem mais luta e crê e quer ser um membro de família, casado e respeitado são os homosexuais. E esse anel que brilha tristesa, as promessas que romanciam os anos, o tédio disfarçado... nos faz continuar adolescentes buscando algo como algodão doce, algo que dure "para sempre" lotado de conservantes, para armazenar e guardar até o mofo. Recebendo a herança de tudo aquilo que a Igreja tentou queimar amamentando mimado o capitalismo que trocou enteógenos por dizímos, livrarias doutrinárias e farmácias(drogarias), percebe-se hoje que pela nossa educação duas falhas foram "fetais", quer nos deixando faltar duas coisas, ou reprimindo de existir duas de nossas maiores potências: o contato com as plantas naturais e o sexo livre. Foi sempre necessário doutrinar doque permitir fazer por si. Foi sempre na base do não doque do sim. É assim, todo mundo toma conta de você caso você queira participar. Ou todo mundo dá ausência de ti caso você negue estar ou simplesmente aceite ser leal a você. Nesse embate coletivo duas almas sempre se aprisionam e muitas das vezes extendem essa prisão, geração por vestidos de noivas, por vinhos de rolhas, por bodas, e botas e bodes de sobrenomes... A maior irônica contradição talvez seja que no fim das contas dos meses que passam, as pessoas se fecham em relações, criam suas propriedades e problemas, delimitam a escolha do corpo e vivem, sobre luz acesa, aquele instinto mais livre, que odeia e não suporta qualquer tipo de CERCA! Tem uma sadomia, um medo, um vilão que os fazem trabalhar sem querer, viver sem ter prazer, sorrir sem achar graça, para um futuro, um dia, uns momentos que compense o sacrifício, a responsabilidade e a devoção. E você só recebeu o que os outros deixaram e só vai deixar, para que outros possuam mais tarde um molde para remodelar. Um ciclo de armazenamento dentro de muitos círculos e propagandas feita para dominar o desejo humano e para oprimir oque for potência de causar desordem nesses pequenos sistemas cotidianos. ...Capengo demais, frouxo me guardo, tão molenga para esse negócio de ser macho e responsável, carrego comigo algo com um balanço no gingado.... que se não é golpe, não é estado. Se for comum, muito obrigado! Agora a gaivota canta. Uma noite pode parecer um túnel atemporal. Um simples acontecer e agente muda. Sustentamos essa saudade entre os segundos que o inimigo ganha, sem um brinde nosso, sem um sorriso honesto dele, uma força, mil amores e neste rastro, esta vida, meus amigos.